
Há muito tempo ouvi esta história, na verdade uma fábula de Esopo, que diz o seguinte:
Um corvo, que estava morrendo de sede, viu, lá do alto, um jarro. Com a esperança de que estivesse cheio d'água, voou rápido até ele e com muita alegria.
Quando chegou perto do jarro, descobriu para sua tristeza que continha tão pouca água, que seria impossível tirá-la do recipiente.
Ainda assim, ele tentou de tudo para conseguir beber a água que estava no jarro. Mas, como seu bico era curto demais, todo esforço foi em vão.
Então, subitamente, ele teve uma idéia: pegou tantas pedras quanto podia carregar e, uma a uma, colocou-as dentro do jarro. Ao fazer isso, logo o nível da água elevou-se e ele conseguiu alcançá-la com o seu bico, vencendo a sede.
Dizia a moral da história: "A necessidade é a mãe de todas as invenções". Pois é, em se tratando de crises e dificuldades, também. Todo imprevisto requer uma dose de criatividade na busca de uma solução. Para que uma estratégia tenha sucesso é preciso identificar as melhores saídas, adaptá-las e aprimorá-las, tudo de acordo com a realidade da sua empresa e do seu momento.
Já ouviu falar em "a necessidade faz o sapo pular" ? É mais ou menos por aí. É o que chamamos de gestão de crise. É nessa hora que ficamos sabendo quem é capaz de "apagar o incêndio" ou quem vai acabar "pulando fora do barco".
Muita gente não sabe lidar com o estresse dentro de uma crise e acaba se "queimando" na empresa. Então o que fazer?
Esteja preparado, pois nessas horas é exigida extrema capacidade de um líder. Busque seu equilíbrio interior. Afinal, você será responsável pelo equilíbrio de uma organização inteira, ou pelo menos do seu setor. E lembre-se de que não existem regras; nenhuma crise é igual a outra.
Num primeiro momento, o mais sensato é reconhecer a crise e ter total consciência da realidade e do tamanho dela.
Não tente esconder fatos. Principalmente, se for um evento de grande impacto. Esteja preparado para encarar a mídia. Tenha em mente que a verdade deve ser pronunciada, na medida do possível e na hora certa. Esse tipo de atitude, por mais que pareça um tiro no pé, será positiva no balanço final. Conte, neste caso, com uma forte estrutura de assessoria de comunicação e marketing e não saia por aí desorientado, falando o que vem na cabeça. Defenda um único ponto de vista (o da empresa) e defina um discurso unificado para os gestores. Depois de defini-lo, siga com afinco esta posição até o fim da crise.
Tenha em mente que uma crise é como uma batalha, e que entre mortos e feridos nunca se salvam todos. O período seguinte à crise é propício para mudanças nos processos de gestão.
Enfim, aproveite o que foi aprendido na adversidade e reestruture-se para uma nova fase. Lembre-se que por pior que seja o problema, sempre existe uma saída, mesmo que essa exija de você criatividade, inovação, sangue frio e pulso firme!
Claudio Nasajon
Professor de planejamento de negócios na PUC-Rio e diretor da Nasajon Sistemas
www.nasajon.com.br
